26 Julho 2017

Portugal é um parceiro comercial atraente para os EUA

No âmbito do projeto Next Challenge USA, um grupo alargado de representantes de câmaras de comércio dos Estados Unidos e associações setoriais portuguesas e norte-americanas esteve recentemente no Porto para estudar oportunidades e estreitar relações com os parceiros portugueses.
Procurando dar a conhecer as oportunidades existentes no mercado americano para as empresas portuguesas, Alexander Botting e Eddie Stewart, respetivamente representante da Câmara de Comércio dos Estados Unidos e vice-presidente da Associação Geral de Empreiteiros Americanos (AGCA), estiveram presentes na apresentação do projeto Next Challenge USA.
Recordando que os EUA “são a maior economia do mundo, com 321 milhões de consumidores” e uma “taxa de crescimento maior do que a maioria das outras economias desenvolvidas”, os responsáveis americanos começaram por assegurar aos empresários nacionais presentes na plateia que “seria difícil encontrar uma economia melhor e mais estável para fazer negócios”.

Em declarações à “Vida Económica”, Alexander Botting apontou a agricultura como “uma ótima oportunidade” para fazer crescer o comércio entre os dois países e lembrou que os EUA importaram 115 mil milhões de dólares em produtos agrícolas em 2016, sendo que “47% destes eram produtos hortícolas, como vinho, frutas, vegetais e óleos essenciais, produtos em que Portugal possui uma importante vantagem competitiva”.
“As exportações portuguesas de vinho para os EUA cresceram 25% nos últimos 4 anos, atingindo quase 100 milhões de dólares. Durante o mesmo período, as exportações de grãos e alimentos cresceram mais de 370%, as nozes 246% e as exportações de vegetais 71%. No entanto, apesar deste sucesso, Portugal fornece apenas cerca de 0,1% das importações agrícolas dos EUA, pelo que existe um significativo potencial para o crescimento”, assegura o representante da Câmara de Comércio.
A terminar, Alexander Botting refere ainda que os “importantes laços políticos, económicos e culturais com os EUA”tornam Portugal “um parceiro comercial atraente” e que “a rica herança de Portugal na produção de vinhos, na pesca e na cerâmica” pode ser “potenciada enquanto produtos ‘premium’ no mercado americano, onde os consumidores têm um forte apetite por produtos com proveniência histórica”.

 

Em conversa com a “Vida Económica” à margem do evento, Isabel Oliveira revela que o “crescimento registado nas exportações agroalimentares para os Estados Unidos da América (EUA) é o resultado da aposta gradual das empresas nacionais naquele mercado”. Presente na apresentação do projeto Next Challenge USA, a representante da Portugal Foods para o mercado norte-americano admite que “existe uma grande procura por alimentos importados nos EUA” e que, “com toda a certeza, existirá espaço para estabelecer parcerias bilaterais” que reforcem a oferta agroalimentar nacional no mercado norte-americano. “O caminho não é tão fácil, mas pode ser percorrido”, assegura.
Lembrando que os EUA são o quinto cliente de Portugal, sendo o primeiro fora do contexto europeu, a responsável refere que “Portugal tem vindo a ser cada vez mais reconhecido pela sua gastronomia eexcelência a nível do setor agroalimentar”. Nesse contexto, Isabel Oliveira dá como exemplo a segunda visita do “chef” e apresentador Anthony Bourdain ao nosso país, no último capítulo da temporada de ‘Parts Unknown’, o programa de viagens transmitido pela CNN que foi para o ar no início deste mês.
Salientando que os EUA “são um dos mercados mais competitivos, senão o mais competitivo do mundo”, a representante da Portugal Foods defende que “é necessário definir uma estratégia clara e trabalhar os canais certos, com resiliência”. Ainda assim, a responsável admite que os resultados “não são imediatos”, sendo “imprescindível encontrar parceiros fiáveis” que promovam os produtos e trabalhem eficazmente as marcas nacionais naquele mercado. Nesse sentido, o investimento continuado em ações de internacionalização como missões ou feiras no mercado, é no entender de Isabel Oliveira de “extrema importância”.